My world no Mask


27/02/2007


 

Como um "velho" pedaço de trapo estendido no chão...

Sinto meu coração...

Caiu, despedaçando-se do décimo oitavo andar

De uma rua qualquer...

Num lugar qualquer...

Sem você perceber...

Como um "velho" pedaço de trapo estendido no chão...

Me deixaste tão nu, tão amargo, tão quebrado...

De uma janela qualquer você vê

O vento sujo me soprar...

E sem pressa lembrarás, que eu

Ali despedaçado, desarmado, sumindo

Vou sempre continuar

Em algum outro lugar

Sempre a te amar...

                       (esse é meu)...

Escrito por Fernanda Leila às 22h30
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Deixo aqui alguns poemas de Vinícius de Moraes que dizem tudo no momento...


EU SEI QUE VOU TE AMAR

Eu sei que vou te amar
Por toda minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu
Será pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...
(do Livro de Letras)



SONETO DO AMOR TOTAL

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente

E de te amar assim muito a amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
(do Livro de Sonetos)



AUSÊNCIA

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos
que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres
eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto em em minha voz a
tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encontrarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
por que eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos
no espaço.

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono
desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
(de Antologias Poéticas)


Escrito por Fernanda Leila às 16h03
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